sábado, 15 de setembro de 2007

Midi...quê?

Você sabe o que faz um midiálogo? Assim como nós bisnaguinhas, provavelmente não. Então aqui vai a primeira dica: o midiálogo é o profissional que se forma em um dos mais recentes e disputados cursos da Universidade Estadual de Campinas: Comunicação Social – Habilitação em Midialogia. Ajudou? Curiosamente, não muito.

Em 2007 o curso forma sua primeira turma (a dos ingressantes em 2004), e até agora ninguém parece saber direito se Midialogia está para a Unicamp como Imagem e Som está para a Ufscar, Audiovisual está para a USP, Jornalismo e/ou Rádio TV está para a Cásper, etc.

A ficha do curso define que ele está "organizado em torno de um conjunto de disciplinas obrigatórias nas áreas de formação humanística e tecnológica, na área de formação estética e de instrumentos de expressão e em desenvolvimentos de projetos integrados." E segue, explicando melhor: "Mediante a fragmentação das linguagens [que, na verdade, é uma (re)criação de discursos a partir de vários originais para gerar um novo plano comunicacional], ao futuro profissional da área de mídia é pedido que saiba ler, que conheça os códigos e que manipule as ferramentas de luz, som, TV, rádio, cinema, vídeo, mídia digital, entre outras. "

Traduzindo para o bisnaguês, o curso de Midialogia é um resultado ou pelo menos um reflexo da importância que a convergência de mídias está ganhando tanto no mercado quanto nas universidades brasileiras. É cada vez mais fundamental que um profissional de comunicação saiba lidar com todo tipo de formato e linguagem, e é por isso que os cursos da área (seja Jornalismo, Publicidade, Rádio e TV, Cinema ou qualquer outro) precisam ser bastante plurais.

Voltando à Unicamp, os alunos estão empenhados em contar para o mundo o que o midiálogo tem. Por isso, fizeram um documentário sobre o tema e, seguindo a proposta do curso de extravasar as fronteiras de cada mídia, criaram também uma campanha de divulgação do vídeo, que inclui cartazes, jogos, página no orkut e, é claro, um blog, que você pode conhecer clicando aqui.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sound and vision

Trecho de um texto sobre as mudanças que a internet traz para a música, escrito por Luiz Cesar Pimentel e publicado na edição de agosto da revista Cult:



Se o futuro do CD é incerto, nota-se que o espaço para quem faz, produz ou comercializa música é extenso se estiverem dispostos a se adequar à era virtual. E passe a régua com a opinião de um gênio desse universo, em artigo para o jornal New York Times de junho de 2002: "A completa transformação de tudo o que pensamos sobre música acontecerá nos próximos dez anos, e nada será capaz de detê-la (...) O 'consumo' da música será como o de água ou eletricidade. Os músicos devem estar preparados para fazerem turnês sempre, pois é a única situação que lhes restará para 'monetizarem'. Isso é terrivelmente excitante. E não importa se você acha excitante ou não, pois é o que acontecerá". Assinado não por Bill Gates, da Microsoft, nem por Steve Jobs, da Apple, nem por um geniozinho espinhento da web, mas por David Bowie.



Ele manja.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Participe

Um texto bem didático da Folha Online, publicado em 10 de junho de 2006, explica que "muitos consideram toda a divulgação em torno da Web 2.0 um golpe de marketing", pois "como o universo digital sempre apresentou interatividade, o reforço desta característica seria um movimento natural e, por isso, não daria à tendência o título de 'a segunda geração'".

Nós da redação do Bisnaga, que não somos gurus da tecnologia, achamos que a interatividade deve mesmo ter feito parte da internet desde que ela foi concebida em mentes geniais. Por outro lado, quando a gente começou a usar a internet, não sentíamos que ela era tão convidativa à participação. Talvez o potencial interativo da internet, no início, não estivesse tão claro para os leigos. De qualquer forma, essa discussão parece menos interessante do que analisar como esse potencial foi se expandindo ao longo dos anos.

Vamos dar um exemplo bem bobinho. Outro dia dois de nós bisnaguinhas estávamos conversando sobre que fim levou o Fulano, um site que há alguns anos constava na nossa lista de favoritos, porque oferecia um bilhão de testes e enquetes sobre tudo quanto é assunto. Quem respondia mais rápido, mais vezes e mais corretamente (existe isso?) ia acumulando pontos, que depois poderiam ser trocados por prêmios. Nós bisnaguinhas nunca chegamos a fazer a troca, mas nossa empolgação pra ficar respondendo quiz era gigantesca. O Fulano bombava de visitas. Todo mundo queria participar.

Por curiosidade, demos uma olhada no atual Fulano e encontramos um site bem do mixuruca. Não queremos meter o bedelho na decadência alheia, mas temos um palpite sobre o que pode ter ferrado o Fulano: hoje, quem quer produzir ou participar de alguma coisa na web tem um milhão de opções mais divertidas. Hoje, dizer que um site é interativo porque tem enquete e/ou teste sobre alguma coisa é até um pouco ridículo. Em época de jornalismo colaborativo, Ajax, RSS, tagging e Wiki, os nossos conceitos de interatividade são outros.

E porque a internet não pára de se transformar, é bem possível que, daqui a alguns anos, um ato como deixar um comentário em um blog se torne algo totalmente ultrapassado. Talvez as pessoas prefiram se pronunciar sobre o que outro escreveu publicando um arquivo de áudio ou entrando em uma teleconferência com o autor, no mesmo instante. Vai saber, né? Quando a gente instalou aquele maldito CD do UOL com sei lá quantos meses de provedor grátis, a gente nem sequer imaginou que um dia escreveríamos nesse tal de blog.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nova fase

O Big Brother está de férias, o Pedro Bial já voltou para o Fantástico, o Alemão e a Siri não estão mais juntos, e o Bisnaga, depois de alguns ensaios, muda de vez seu foco. Se não chegamos a deixar as maravilhas do mundo dos reality shows, ampliamos nossos horizontes: a partir de hoje, o que nos parecer relevante no mundo da comunicação vai merecer post. Sejam bem-vindos de volta!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Da janelinha, assistimos tudo

Em 12 de junho de 2000, Sandro do Nascimento seqüestra um ônibus na zona sul carioca. Seis mulheres são mantidas como reféns. Após quatro horas de tensão entre seqüestrador, seqüestradas e Polícia Militar, uma das vítimas é acidentalmente morta por um dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e o seqüestrador é assassinado a caminho da delegacia. Depois de dois anos, a tragédia é tema de mais um documentário brasileiro que retrata a crescente violência nas principais capitais do País.

Assim como Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles, e O Prisioneiro da Grade de Ferro, filmado pelos próprios detentos da extinta Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, que utilizaram depoimentos verídicos para construir a narrativa, o documentário Ônibus 174, dirigido por José Padilha, choca pela maneira que expõe uma das grandes mazelas da nossa sociedade: a exclusão social e suas conseqüências. Construído a partir de técnicas jornalísticas, em que os envolvidos no episódio contam sobre o tipo de relação que mantinham com Sandro e opinam sobre o ocorrido, o filme pode parecer para alguns como uma tentativa de inocentar Sandro de sua atitude. Ou, ao contrário, pode ter sido feito para mostrar a atrocidade que esse “bandido” fez e o que isso mereceu.

No entanto, a questão mais importante não é avaliar o grau de culpabilidade de Sandro. Se ele era ou não um criminoso e merecia morrer na cadeia (ou no camburão), não é caso agora, apesar de sermos totalmente contrários a tal prática. Mas as dúvidas sempre pairam em nossas cabeças. Por que as políticas públicas não funcionam? E por que insistimos em não fazer nada com a desculpa de que é impossível dar conta de toda a miséria e violência que permeiam a vida de pessoas como Sandro? Paramos nos porquês e nunca chegamos aos “comos”. Como resolver? Como prevenir? Como (re)habilitar uma pessoa sem estrutura alguma? Aliás, habilidade é o que parece faltar em todos nós. Habilidade para lidar com essas situações.

A verdade é que Padilha consegue incomodar e tirar parte de uma venda que cega voluntariamente classes mais abonadas. Os relatos que reconstroem mais essa tragédia humana são de policiais envolvidos, das vítimas que sobreviveram, de jornalistas que transmitiram em tempo real a ação policial e os movimentos de Sandro dentro e fora do ônibus e de amigos e familiares do rapaz. Os micro-depoimentos se complementam e formam uma história maior, que vai além daquele ônibus e nos atinge em cheio enquanto sentamos em frente à televisão.

terça-feira, 29 de maio de 2007

No limite

O desabamento nas obras do metrô de São Paulo é um exemplo recente de cobertura que se enquadra na categoria “situação limite”, analisada por Ramón Salaverría em Los cibermedios ante las catástrofes: del 11S al 11M. Foi um acontecimento que rompeu, de maneira imprevista, a pauta informativa diária, causou súbito aumento do tráfico da web e acelerou o ritmo da produção de notícias. Por se tratar de um fato trágico, que causou 7 mortes, o impacto causado foi ainda maior. A cobertura dos sites brasileiros foi extensa, visto que o assunto se prolongou por diversos dias (depois do acidente em si, houve um período de resgate das vítimas, o desmonte da grua, as investigações sobre o caso e a retomada das obras). Alguns portais, no entanto, tiveram mais sucesso que outros.

O Terra, por exemplo, não organizou seu conteúdo em uma seção especial. Ao procurar informações sobre o desabamento do metrô, o internauta conseguia, apenas, acessar uma lista de notícias sobre o assunto, em ordem cronológica. Apesar de disponibilizar muitos textos, o conteúdo não ficou bem organizado. Vídeos, fotos e arquivos de áudio eram difíceis de encontrar. O internauta tinha que, de certa forma, adivinhar qual daqueles títulos comportava conteúdo multimídia. Nota-se, ainda, que o portal corrigiu algumas notícias, como o que falava sobre os horários do rodízio de carros em São Paulo, que fora alterado devido ao acidente. Essa atitude é importante, visto que, em seu texto, Salaverría afirma que muitas informações erradas dadas nos sites espanhóis durante a cobertura dos atentados de Madrid, em 2004, nunca foram corrigidas, apenas excluídas da web, sem explicações. O Terra também investiu na participação do internauta, pedindo que eles “opinassem sobre o caso” e que mandassem fotos e notícias para o Vc Repórter. O problema é que, também nesse serviço, o conteúdo ficou desorganizado.

Na Folha Online, a convergência dos meios – tão destacada por Salaverría – abriu espaço para uma cobertura muito mais completa que a usual. A versão online do jornal criou um hotsite especial para a cobertura, incluindo seções especiais com explicações sobre cada momento do desabamento. Pela rapidez das informações, a versão online acabou realmente assumindo a função de protagonista na cobertura. A internet confere mobilidade aos meios, e as pessoas não precisam esperar mais pelo dia seguinte para ler as primeiras notícias sobre algum determinado assunto em uma revista ou jornal. Além disso, em casos como esse, o aproveitamento dos recursos multimídias - também destacado no texto de Salaverría - possibilita com muito mais rapidez a primeira imagem do acidente. Assim, a Folha usou infográficos, galeria de imagens, mapas e textos complementares como “entenda o caso”, “leia sobre outros acidentes”, “saiba sobre a linha 4” e “saiba sobre a Odebrecht”. O conteúdo ficou bem organizado e o internauta teve facilidade de encontrar o que queria.

O iG manteve uma página com as últimas informações sobre o trabalho do Corpo de Bombeiros e o resgate das vítimas. Além disso, dentro do site era possível acessar um link para ver um vídeo feito por um cinegrafista amador em que um caminhão caía dentro da cratera. Outra ferramenta utilizada pelo portal foi um espaço aberto para aquele internauta que passava pelo ponto da Marginal Pinheiros próximo ao local do desmoronamento. O usuário era convidado a mandar depoimentos sobre o que presenciou e fotos ou vídeos da tragédia. Os internautas mandaram fotos, deram depoimentos e fizeram comentários. Nesse sentido, o site mostrou que o jornalista se torna uma ponte entre o leitor e o meio de comunicação. O iG também mostrou infográficos que explicavam tanto o desmoronamento quanto o desmonte da grua. A cobertura foi extensa, mas o conteúdo não foi reunido em uma página especial, como na Folha Online.

Em geral, pode-se dizer que a cobertura do desabamento do metrô foi mais quantitativa do que qualitativa. As notícias foram muitas e postadas rapidamente, de modo que os sites primaram pelo imediatismo. No entanto, faltou organização, o que revela que uma das grandes dificuldades da internet é lidar com a grande quantidade de informação disponível.

De volta?

Depois de um longo hiatus, estará o Bisnaga de volta? Veremos.
Em tempo: o famoso vídeo do Povo Fala, pelo jeito, não aparecerá por aqui. Promessa não é dívida.